O PMBOK foi publicado na década de 1990 como um guia de boas práticas extenso, robusto e vivo. Com o passar dos anos, muitos setores começaram a trazer para a gestão de projetos ferramentas de outras áreas da gestão, criando outras metodologias, ou práticas mais aplicáveis a determinados mercados ou tipos de projetos.
Quando o PMI criou o Standard de Gerenciamento de Programas e Gerenciamento de Projetos, na revisão seguinte também houve um esforço para reconhecer o que era standard dentro de uma publicação que era uma extensa coletânea de práticas.
Na versão 6, o PMBOK reconhece as duas abordagens mais comuns para projetos tradicionais e projetos ágeis. E na sétima versão, o PMBOK 7 abandonou as áreas de conhecimentos pelos princípios, e coloca as boas práticas em uma enciclopédia virtual que é o PMI Standard Plus.
Quando o PMBOK foi publicado, um projeto era classificado como bem-sucedido se estivesse sido entregue dentro do prazo e do orçamento, respeitando o escopo e a qualidade esperada.
Ao longo dos anos, muitas mudanças foram ocorrendo e a publicação seguiu acompanhando o cenário. Afinal, as dinâmicas, tendências e os frameworks de gestão de projetos evoluem conforme o ambiente.
Até que chegamos no contexto atual, dentro do qual gerentes de projetos sabem que a concorrência é intensificada, produtos e serviços possuem tempos mais curtos de desenvolvimentos e diversas mudanças podem ocorrer durante o ciclo de vida de um projeto.
Nesse cenário, os gerentes precisam tomar decisões mesmo em meio a tantas incertezas. Como fala Ricardo Vargas em um de seus podcasts sobre a nova edição do PMBOK, “não adianta mais fazer as coisas do modo correto. Você tem que fazer as coisas certas do modo correto”. Então, nada mais natural do que ver o PMBOK mudar, pois somente assim ele seguirá sendo um guia relevante e uma referência para prática de gerenciamento de projetos.
A sexta versão do PMBOK focava principalmente no gerenciamento de projetos preditivos, que exige um ambiente mais estável. A sétima edição, por sua vez, enfatiza a gestão de projetos orientada a mudanças, justamente para estar de acordo com o novo contexto global.
O PMBOK 7 é dividido em duas seções:
Uma grande diferença em comparação com as edições anteriores, que se baseavam em processos, a sétima muda para uma perspectiva de 12 Princípios de Gerenciamento de Projetos – considerados como a espinha dorsal dos Padrões.
Sobre o Sistema para Entrega de Valor, como mencionado em um e-book publicado pelo PMI RJ, ele “requer que se defina a governança e como ela suportará o sistema de entrega de valor através de objetivos alcançáveis”
Adicionalmente, o Sistema para Entrega de Valor enfatiza resultados valiosos sobre as entregas. Juntamente com os 12 Princípios, serve como um guia para gerentes de projeto, membros da equipe e stakeholders entregar valor à organização e a todas as partes envolvidas.
Sobre a seção denominada Guia PMBOK, ao contrário da sexta versão, ela deixa de abordar áreas de conhecimento e grupos de processos. Ao invés disso, cobre os Domínios de Desempenho do Projeto.
A seguir, falaremos sobre os dois pontos: Princípios de Gerenciamento de Projeto e os Domínios de Desempenho do Projeto.
Destacamos que essa abordagem por princípios pode beneficiar qualquer pessoa que lidere um projeto, independentemente do método de entrega, metodologia de gerenciamento etc. Os princípios são:
Como sugere o e-book publicado pelo PMI RJ, “os 12 princípios parecem girar em torno de 3 temas principais: como possibilitar a entrega de valor, como melhorar a interação entre Partes Interessadas e como entender mudanças como instrumento de melhoria”.
Assim, temos o seguinte:
Como podemos ver, o PMBOK 7 aborda as áreas que os gerentes de projetos precisam prestar atenção para entregar valor para a empresa. Perceba também que os 12 princípios compartilham uma semelhança com os princípios propostos pelo Manifesto Ágil e Lean.
Enquanto as edições anteriores abrangiam 10 Áreas de Conhecimento, o PMBOK 7 apresenta os Domínios de Desempenho do Projeto. Neste webinar, José Finocchio explica que os domínios são como aspectos que precisamos prestar atenção, enquanto as áreas de conhecimento antigas eram disciplinas (cronograma, custo etc.).
Entenda que isso não significa que as Áreas de Conhecimento perderam a relevância. Pelo contrário, elas seguem tendo importância na gestão de projetos.
Os 8 Domínios do PMBOK 7 são:
Explicando melhor:
No Guia PMBOK 7, cada um do Domínios é dividido em três partes. Na primeira, o PMI explica o que esperar dele como resultado final. Na segunda, mostra aspectos de cada área. Na terceira, explica como verificar se o resultado foi atingido.
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A sétima edição do PMBOK traz como principais mudanças:
Além disso, o Standard Plus traz mais de 600 ITTOs (Inputs-Tool-Techniques-Outputs) para Modelos, Métodos e Artefatos. Outro ponto importante é que a abordagem por princípios faz com que muitas organizações não sejam mais orientadas a indicadores (KPIs), mas sim a objetivos (OKRs). E como objetivo principal de todo gerente de projeto, destacamos a geração de valor para os stakeholders.
Existem mais atualizações no PMBOK 7 que não são explicadas neste artigo com mais detalhes. Caso queira saber mais ou precise tirar alguma dúvida, fique à vontade para escrever nos comentários.
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Créditos imagem principal: Unsplash por Octavian Dan.
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