empresas não lucrativas

Empresas não lucrativas lideram o lançamento de IPO desde a era da Dot Com

Dentre os principais motivos para uma organização privada decidir vender ações para o público pela primeira vez está o de captar recursos. A este processo – o de abrir o capital por meio de ações negociadas na Bolsa de Valores – damos o nome de Initial Public Offering (Oferta Pública Inicial) conhecido também pela sigla IPO.

Desde a bolha da internet (a era das empresas “dot com”, ou “ponto com”, em português), as empresas não lucrativas passaram a arrecadar dinheiro em IPOs em um ritmo mais acelerado. Pelo menos é o que diz o artigo Unprofitable Companies Are Raising the Most IPO Cash Since the Dot-Com Era, dos autores Esha Dey, Drew Singer, Ryan Vlastelica, Kristine Owram e Mathieu Benhamou.

Para explicar, o texto traz que em 2019 a lista dos IPOs inclui vários dos chamados unicórnios, tendo participantes como Uber Technologies Inc., Lyft Inc. e Pinterest Inc. No Brasil, de acordo com uma matéria no LABS, “Stone e Arco já listaram suas ações na bolsa americana e o mercado está apostando em NubankGympassQuintoAndar e Movile como os próximos unicórnios a seguirem os mesmos passos rumo à abertura de mercado”. 

Para abordarmos a abertura de capital das empresas não lucrativas, preparamos este artigo. Confira! 

As mudanças do IPO

A abertura de capital de empresas não lucrativas tem aumentado. Conforme matéria da LABS, em relação a 2017 o ano de 2018 teve um aumento de 54% do número de unicórnios que anunciaram o IPO.

Nos ciclos passados do mercado, empresas como a Microsoft Corp., quando em fase iniciante, somente tornaram-se públicas após anos de ganhos positivos. O cenário começou a mudar cerca de duas décadas atrás, quando grandes bancos desenvolveram uma maior tolerância ao risco, alterando o perfil das empresas que poderiam abrir seu capital.

Assim, hoje temos empresas não lucrativas que fazem IPO mesmo sem perspectiva de retorno, segundo cita artigo publicado na Época. De acordo com a matéria, “uma pesquisa realizada pelo professor de finanças Jay Ritter, da Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, mostra que 83% dos IPOs em 2018 foram realizados por empresas não lucrativas, que perderam dinheiro nos 12 meses que antecederam sua estreia no mercado”.

Como cita o artigo Unprofitable Companies Are Raising the Most IPO Cash Since the Dot-Com Era, isso representa uma mudança, uma vez que “costumava ser uma regra que você não poderia se tornar público até obter lucro”.

Novas regras, novo mercado

Com empresas disruptivas entrando com força no mercado, atribuir valor a uma tecnologia sem precedentes que pode transformar um setor é um desafio único para especialistas em finanças.

Os autores do Unprofitable Companies Are Raising the Most IPO Cash Since the Dot-Com Era contam o exemplo da Tesla Inc., cujo objetivo é o de dominar o setor de táxis autônomos do futuro. Depois que a empresa mencionou essa meta alguns anos atrás, Adam Jonas, analista do Morgan Stanley, disse que o chamado “negócio de táxi robótico” podia valer até US$ 244 por ação.

As expectativas diminuíram desde então, com sua avaliação agora próxima a US$ 45 por ação, enquanto outros analistas não atribuem valor ao negócio em potencial. “Avaliar essas empresas requer uma visão de longo prazo”, disse Jeffrey Osborne, analista da Cowen, em entrevista. 

Quando a Tesla estreou no mercado público em 2010 ela estava se preparando para o lançamento do seu Sedan Modelo S. Nove anos depois a organização vendeu mais de 95 mil unidades apenas no segundo trimestre. No entanto, o crescimento explosivo teve um preço alto, com a Tesla perdendo quase US$ 6,5 bilhões em dinheiro em 2017 e 2018, enquanto lutava com o lançamento de seu primeiro carro para o mercado de massa.

O texto cita também o mercado de maconha nos EUA, que está vendo uma história semelhante se desenrolar. Como a promessa de táxi autônomo da Tesla, os investidores no setor de cannabis estão empolgados com um composto não intoxicante encontrado na planta da cannabis e que se acredita ter um enorme potencial, mas que também não foi testado: o CBD (canabidiol).

Ao contrário de seu primo THC, o CBD não tem efeitos psicoativos e neurotóxicos e já é encontrado em cremes para a pele, alimentos para animais e hambúrgueres. Varejistas tradicionais nos Estados Unidos já começaram a vender produtos CBD em algumas de suas lojas. A Piper Jaffray Cos. estima que o mercado de CBD nos EUA possa valer até US$ 15 bilhões em cinco anos.

No entanto, o alerta é que para toda previsão otimista existe pelo menos um risco. No caso da canabbis, a pesquisa científica sobre os benefícios médicos do CBD está apenas começando e a Food and Drug Administration ainda está determinando como regular o uso do composto em alimentos e bebidas.

Esses riscos, contudo, não afetaram muito o entusiasmo dos investidores. “Você está convencido de que uma dessas empresas não lucrativas criará grandes marcas e se tornará a próxima Coca-Cola ou Pepsi nos próximos 15, 20 anos”, disse Greg Taylor, diretor de investimentos da Purpose Investments Inc. e gerente da Fundo de Oportunidades para Maconha.

Mas, de onde vem essa euforia?

“A tecnologia geralmente cria muita euforia sobre o crescimento, com base na suposição de que o que uma empresa de tecnologia está fazendo será transformador, que perturbará todo um setor e que essas empresas serão as vencedoras e crescerão em um nível que não poderá ser alcançado em nenhum outro lugar do mercado”, disse Anthony Saglimbene, estrategista de mercado global da Ameriprise Financial.

Nos anos 90, quando “tecnologia” era a palavra da moda, qualquer empresa que colocasse o “.com” após seus nomes atraía os olhares dos investidores. “Ninguém estava olhando com atenção suficiente para saber se os negócios faziam algum sentido”, disse Chuck Lieberman, diretor de investimentos da Advisors Capital Management, em entrevista.

O fato é que, como relatado no texto, “você está convencido de que uma dessas empresas não lucrativas criará ótimas marcas e se tornará a próxima Netflix. Mas pode ser que isso não aconteça”.

Então, por que apostamos em empresas não lucrativas?

Segundo cita o artigo Unprofitable Companies Are Raising the Most IPO Cash Since the Dot-Com Era, a Blue Apron Holdings Inc., empresa de entrega de kits de refeições em casa, é um exemplo proeminente cuja história atraente não teve um final feliz.

De acordo com seu prospecto de abertura de capital, a Blue Apron estabeleceu uma meta que poderia vender refeições para 99% dos americanos. Recentemente a empresa reduziu as expectativas, dizendo que seu produto principal poderia atender a 50 milhões de residências nos EUA, ou menos da metade dos lares americanos.

“Tudo se resume ao medo e à ganância no comportamento”, disse Mike Loewengart, vice-presidente de estratégia de investimentos da E-Trade Financial Corp., comentando sobre a atração de bolhas em geral. “É quase como se as pessoas tivessem que concordar com isso, por causa do conceito de FOMO” (FOMO significa “medo de ficar de fora” ou medo de perder).

Conforme finaliza o artigo: “você sabe que algo pode até ser ridículo, mas não quer perder” (ou, não quer ficar para trás). No entanto, os investidores de bolhas eventualmente percebem que a empresa não baterá as metas descritas em prospectos de abertura de capital.

 

Gostou deste post? Compartilhe-o com seus colegas. Para ficar por dentro dos nossos materiais, não deixe de acompanhar o Glicando, o blog da Glic Fàs.

Créditos imagem: Pixabay por mohamed Hassan

Contate-nos

Patricia C. Cucchiarato Sibinelli
  • Diretora Executiva
  • Mentoria em gestão de negócios.
  • Tel: (11) 9 9911 0274
Silvio Luiz Zen
  • Diretor Executivo
  • Mentoria em Gestão de Negócios.
  • Tel: (11) 9 9999 6564