Sua empresa tem apetite ao risco?

Ao nível máximo de risco que uma empresa está disposta a assumir para atingir seus objetivos estratégicos dá-se o nome de apetite ao risco. Em poucas palavras, é esse apetite que define os limites que se refletirão nas operações diárias para manter um negócio funcionando, bem como na definição de metas e, claro, no gerenciamento de riscos.

O documento Enterprise Risk Management – Integrated Framework (COSO) declara que as organizações devem abraçar o risco ao perseguir seus objetivos. Esse é o motivo pelo qual a chave do sucesso seja entender o grau do risco que uma empresa está disposta a aceitar.

Você já parou para pensar no assunto? Saberia dizer o quão faminta sua empresa é no que diz respeito aos riscos? Consegue decidir quanto risco seu negócio está disposto a aceitar? Para encontrar as respostas, é fundamental conhecer sobre o apetite ao risco.

Quando uma organização deve definir o apetite ao risco?

A gestão de riscos não é algo que acontece isoladamente, isto é, deve estar atrelada à estratégia, ao planejamento e às tomadas de decisão diárias. O motivo é fácil de entender, uma vez que cada passo a ser dado depende de quais riscos a organização está disposta a correr – e o grau de aceitação.

Por essa razão, segundo esta publicação do COSO a hora de definição de apetite ao risco é no momento em que objetivos ou táticas operacionais são também definidos. O raciocínio é o seguinte:

“À medida em que trabalham em direção a seus objetivos, as organizações escolhem estratégias e desenvolvem métricas para mostrar o quão perto estão de atingir esses objetivos. Os gerentes são motivados a atingir os objetivos por meio de programas de recompensa e compensação. A estratégia é então operacionalizada por decisões tomadas em toda a organização. As decisões são tomadas para atingir os objetivos (aumentar a participação no mercado, lucratividade etc.). Mas atingir os objetivos também depende da identificação do risco e da determinação se eles estão dentro do apetite ao risco da organização.”

Do que depende a definição do apetite ao risco?

Definição de apetite ao risco
Crédito: Pixabay por mohamed Hassan

Entendemos que as tomadas de decisão dependem do tipo e do grau de risco (apetite) aceitáveis para a organização. Mas antes mesmo de definir qual é esse apetite, é importante entender que existem três fatores que exercem alguma influência.

Segundo a PwC em “Risk appetite – How hungry are you?”, são eles: cultura, estratégia e posição. Por isso, mesmo empresas de um mesmo setor e porte terão diferentes tolerâncias para os tipos de risco. Aliás, em uma mesma empresa, o apetite será diferente entre as unidades de negócios.

Colocando em outros termos, é um trabalho que deve levar em consideração cada tipo de negócio e, se for o caso, cada unidade como um organismo individual. Cultura, estratégia e posição assumem papeis relevantes porque exercem influência no nível de apetite.

Por exemplo, uma organização que foi impactada negatvamente por uma crise financeira pode se tornar totalmente avessa ao risco. Já outra que encontrou uma grande oportunidade pode acabar tolerando riscos muito altos. O segredo, como comentamos aqui, é encontrar o equilíbrio.

Ainda, quando pensamos na estratégia organizacional fica ainda mais clara a necessidade de formulá-la levando em consideração o apetite ao risco. Em outras palavras, risco e estratégia também estão interligados.

Para compreender melhor, observe a seguir.

O que considerar na hora de definir o apetite ao risco?

São vários os fatores que precisam ser levados em consideração. Dentre eles, é importante observar:

  • Fatores estratégicos: neste item é interessante que sejam consideradas as necessidades das partes interessadas, como acionistas, clientes, parceiros, reguladores etc. Lembrando que a estratégia definida para a empresa pode variar o apetite ao risco em certas linhas de negócios em comparação com outras.
  • Fatores econômicos: aqui consideram-se os recursos financeiros da empresa e o valor de retorno que pode ser alcançado ao assumir um risco. Ou o quanto a empresa está disposta a “perder para ganhar”.
  • Fatores de capacidade: a disponibilidade de recursos e prazos para atingi-los pode determinar o apetite ao risco dos processos de negócios.
  • Fatores legais: requisitos legais que irão influenciar significativamente a decisão a ser tomada.
  • Fatores de posicionamento: uma empresa que ocupa uma posição de destaque no mercado e já está bem estabelecida pode correr riscos que talvez não sejam aceitáveis a outra que ainda está batalhando para se posicionar e conquistar clientes.

Definindo o apetite ao risco

Até aqui você entendeu que não existe um único apetite universal pelo risco. Portanto, para adotar o apetite ao risco de forma eficaz, segundo a publicação do COSO uma organização deve realizar três etapas principais:

  1. A gestão desenvolve, com revisão do conselho e concordância, uma visão do apetite geral de risco da organização.
  2. Essa visão do apetite é traduzida em uma forma escrita ou oral que pode ser compartilhada por toda a organização.
  3. A administração monitora o apetite de risco ao longo do tempo, ajustando a forma como é expresso conforme as condições de negócios e operacionais justificam.

Em “Qual é o perfil da sua empresa quanto a apetite ao risco? E o seu?”, sugerimos ainda que:

  • A empresa deve estabelecer um entendimento comum dos riscos e
  • Deve estar preparada para a probabilidade e o impacto de ameaças conhecidas.

Para que tudo isso seja possível, reforçamos que os gestores precisam entender a estratégia, as metas, as perspectivas de seus stakeholders e a cultura da organização quanto aos riscos.

Concluindo

A definição de apetite ao risco é uma forma eficaz de definir e deixar bem claro a todos na empresa quais são os riscos toleráveis. Além disso, fornece uma base para avaliar e monitorar a quantidade de risco que uma organização enfrenta.

A partir do momento que tem uma noção mais clara do quanto seus riscos a afetam, a empresa consegue avaliar se o risco subiu acima de um intervalo aceitável. Nesse caso, pode reavaliar o apetite ou as próprias definições de riscos.

Já que está aqui, leia também o e-book: Adote a Gestão de Riscos na sua empresa – Fundamentos e boas práticas.

Este post foi útil? Compartilhe-o com seus colegas. Para mais conteúdo como este, e para ficar por dentro de boas práticas da gestão de negócios, visite o Glicando, o blog da Glic Fàs.

Créditos imagem: Unsplash por Chris Liverani.

Contate-nos

Patricia C. Cucchiarato Sibinelli
  • Diretora Executiva
  • Mentoria em gestão de negócios.
  • Tel: (11) 9 9911 0274
Silvio Luiz Zen
  • Diretor Executivo
  • Mentoria em Gestão de Negócios.
  • Tel: (11) 9 9999 6564